sexta-feira, 21 de março de 2008

Falemos de Sociologia...

Desde os inicios...Desde a Idade media até o modernismo muitas transformações na humanidade aconteceram. Fatos históricos se entrelaçaram e configuraram de modo tal que uma serie de sucessos marcantes desencadearam no que hoje conhecemos como sociedade moderna. Nesse longo percorrido histórico existiu uma evolução no pensamento, na religião, na economia, nas sociedades, etc. No século XIV foram tomando forma movimentos como o Renascimento e o Iluminismo, e foram desenvolvidos e modificados da mão de filósofos como Kant, Comte, Descartes e tantos outros que deixaram sua marca definitiva no acervo do conhecimento humano. A partir de ali o homem começou a olhar-se como centro e criticar-se, a re inventar-se, deixou de estar submetido à dominação do divino para ser o centro das atenções. Em este marco histórico inevitavelmente, seguindo o fluxo dos acontecimentos, surge a sociologia, trazida à luz pelos filósofos Hegel e Comte. Existem aportes em outras ciências como os de Galileu quem é o herói da nova ciência frente à “escuridão” medieval. Rosseau e o protótipo da democracia contemporânea e o liberalismo. Lutero é o líder contra a potente Igreja católica. Estes fatos e tantos outros construíram as bases do mundo como hoje o conhecemos, onde a vontade da maioria, a secularização, o culto a ciência e o individualismo substituíram a vontade de Deus na cristandade medieval. Os dois blocos do mundo contemporâneo são fruto desta modernidade, por isso liberalismo e marxismo são filhos do mesmo pai: o mundo moderno. As transformações são cada vez mais profundas e marcantes, tanto que os fatos e regras as quais hoje estamos submetidos e conhecemos em nossas sociedades modernas tiveram seu berço naquelas distantes épocas. O assunto está em intentar entender qual foi o fim de tantas mudanças, esclarecer até que ponto foram positivas ou não e em que aportaram para a sociedade tal qual a conhecemos nos dias atuais.Fazendo uma resenha histórica este longo caminho tem seus inícios com a caída do Império Romano (século V). Trata se de um período marcado por uma sociedade sobre forte influência da Igreja católica, onde o centro de todas as explicações estava em Deus, representado na terra pelo papa e o rei. Nesta época todas as explicações referentes à sociedade, política, religião e vida cotidiana no geral, estavam centralizadas em Deus, sem possibilidade de questionamento algum.Mas como todo muda e se transforma, chegou um momento entre os séculos XIV e XIX em que o homem entraria em uma nova fase do humanismo (valorização do homem) e um movimento chamado renascimento começaria a estruturar-se em algumas cidades italianas e nas camadas urbanas da Europa ocidental. Assim da mão do filosofo Descartes, com suas novas idéias que faziam da razão o principio, meio e fim do conhecimento e da cultura humana, surge no século XVII o movimento chamado de Iluminismo, que pretendia “ iluminar com a luz da razão” todo o que existia, sendo o mistério da Fe cristã o principal alvo de ataque dos homens da modernidade racionalista. Aspectos da vida política, econômica e cultural passaram a ser explicados por médio da razão por tanto tais explicações poderiam ser questionadas, o ser humano entendeu que poderia intervir em seu destino, o homem passou a ser o centro do universo.Toda ideologia trata de justificar e defender os interesses subjetivos de quem formula o conteúdo ideológico, assim a burguesia defenderia e procuraria difundir os ideais iluministas, junto a estes ideais surgiriam às bases filosóficas para uma nova sociedade que emergiria depois de dois fatos marcantes na historia: a revolução francesa e industrial, as quais irromperam de uma quebra, uma necessidade de mudanças, uma insurreição que modificaria a política do Estado. Ambas as revoluções nasceram por causa de um processo histórico de tirania, opressão, e miséria de uma população que clamava por renovação, modificação, uma vida mais digna.No caso da Revolução Francesa (1789), fala-se de modificações de um sistema político monárquico absolutista, injusto e infame. Por primeira vez na historia da humanidade respirava-se a necessidade de igualdade para todos. O homem lutou pelos seus direitos e conquistou sua cidadania, baixo a bandeira de “Liberdade, igualdade e fraternidade” como ideais da tão almejada revolução. Pode-se afirmar que existe um antes e um depois deste acontecimento que modificou o rumo da historia sócio-política mundial. Na Europa estabeleceram-se novas formas de organização política, social e econômica. Novos costumes e tendências espirituais foram tomando forma. Na França nasce o Estado moderno, baseado na criação de eleições por médio do voto dos cidadãos. No setor econômico se passa de uma economia meramente agrária e artesã a outra diferente dominada pela indústria e mecanização, o que se conhece como Revolução Industrial, a qual se desenvolveu na Inglaterra de final do século XVIII e ao longo do século XIX, também pela Europa e Estados Unidos.Na segunda metade do século XVIII na Inglaterra detecta se uma transformação profunda nos sistemas de trabalho e a estrutura da sociedade. È o resultado de um crescimento e mudanças que vem acontecendo nos últimos cem anos, trata se de uma revolução lenta e inevitável. A destruição do feudalismo e desenvolvimento do capitalismo modificou as formas econômicas dando preferência ao comercio e indústria. A revolução teve como conseqüência uma maior urbanização e por tanto processos migratórios desde zonas rurais até as urbanas, surgindo assim uma nova classe de profissionais. Influem as invenções tecnológicas, descobrimentos teóricos, capitais, transformações sociais, a revolução na agricultura e crescimento na demografia das cidades. Fatores que se combinam e se potenciam entre eles. Aparecem novos grupos sociais, a sociedade se torna mais complexa, dinâmica, se divide em classes formada por grupos abertos determinados pela fortuna, o que desencadeia em graves problemas sociais, devido ao crescimento das cidades de forma desordenada, ampliando se a separação entre a burguesia industrial e os operários. Assim na Europa surge o capitalismo, a prática da atividade comercial voltada ao lucro, pratica conhecida muito bem nos dias atuais.Neste contexto era necessário criar uma filosofia capaz de compreender o social com tanta precisão quanto a matemática ou a física. Comte pregava a necessidade de “libertar o conhecimento social de toda a ingerência filosófica. Assim como nestas ciências, em sua nova ciência chamada de física social e posteriormente Sociologia, Comte usaria da observação, da experimentação, da comparação como método para a obtenção dos dados reais. Comte firmou que os fenômenos sociais podem ser percebidos como os outros fenômenos da natureza, ou seja, como obedecendo a leis gerais. Émile Durkheim, seu discípulo, sistematizou algumas de suas idéias e foi o primeiro a usar efetivamente a expressão “Sociologia” para referir-se ao estudo em pauta, que seu mestre ainda chamava de “Física Social” que explicava o cotidiano do homen baseado no “fato social” determinado como tudo o que é coletivo, exterior ao indivíduo e coercitivo, em linhas gerais. Como compreender o fato social? “Afastar sistematicamente as pré-noções”. Difícil pois o ser humano não pode ser objetivo e estar acima de todos os sentimentos, emoções, e “juízos de valor. Como se a própria colocação da questão – seja ela qual for – não traga nela embutidos os juízos ou as pré-noções... Posição hoje indefensável, Durkheim tem contudo enorme valor para a Sociologia contemporânea.Na economia o capitalismo era como um pequenino câncer que surgiu no final da sociedade feudal. Foi crescendo, crescendo e hoje, a burguesia e seus interesses comerciais se sobrepõem ao ser humano numa infecção que contamina todo o planeta.Anos depois Marx focalizou seus estudos na sociedade capitalista, nas relações de trabalho dos donos dos capitais e a força trabalhista, dominadores e dominados. Para ele a riqueza e a pobreza são contraditórias a diferencia de Comte e Durkheim onde a pobreza e a riqueza são duas partes de uma mesma realidade.A proposta de Marx foi de tal peso que criou um novo tipo de sociedade, considerada por ele como uma sociedade mais justa, o socialismo. Coisa que na pratica não foi bem assim. Em um mundo globalizado e capitalista praticamente é utópico pensar uma sociedade moderna onde os interesses da sociedade se sobreponham aos particulares, retornar os bens particulares para a sociedade. È totalmente absurdo, a sociedade mesma não aceita isso, para dar um exemplo claro e atual, em Venezuela o povo esta sofrendo com as propostas do presidente Hugo Chavez, que ante os olhos do mundo são obsoletas e incongruentes. Não tem melhor exemplo para demonstrar que a sociedade marxista é um fracasso. Por tanto trás tantas evoluções e modificações nas sociedades vê se que hão havido grandes avanços, em todos os aspectos, os povos sempre lutaram e continuam lutando pelo melhor para todos, o problema esta em que a maioria fica de fora, é a classe menos favorecida a que sempre fica esperando que esse dia em que exista repartição de riquezas e igualdade para todos chegue, é essa classe que fica esperando pela liberdade (em todos os sentidos) mais ela também não chega... A historia continua e grandes mudanças são necessárias para alcançar o ideal de sociedade sonhado pelos grandes pensadores ao longo da historia, o tema é se alguma vez será possível abraçar essa meta.

*Autoria própria

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